Mercado de PCs no Brasil cai 12,6% no segundo trimestre de 2020, diz IDC

Foto por Christina Morillo em Pexels.com

Pesquisa realizada pela consultoria IDC indica que uma eventual reação do mercado de PCs no Brasil não se confirmou, mesmo com a quarentena forçada pela crise do coronavírus, quando o home office e as aulas online se consolidaram Isso porque o estudo registrou uma queda de 12,6% nas vendas de computadores no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A pesquisa, que leva o nome de Brazil PCs Tracker 2Q2020, computou vendas de 1,265 milhão de máquinas entre abril, maio e junho de 2020, 183 mil a menos do que no 2º trimestre de 2019 e 205 mil menos do que no 1º trimestre deste ano. O maior impacto foi causado pelo mercado corporativo, para quem foram endereçadas 359.538 máquinas, sendo 137.892 desktops e 221.646 notebooks.

“Mais do que uma terrível crise sanitária, as empresas estão enfrentando uma crise de fluxo de caixa e precisam congelar investimentos”, explica Rodrigo Okayama Pereira, analista de mercado da IDC Brasil. Segundo ele, o aumento de preços devido ao valor do dólar e mudanças nas cobranças do IPI e ICMS também influenciaram as compras empresariais no período. O destaque positivo do mercado corporativo foi o setor educacional, que continuou indo às compras no segundo trimestre e cresceu 11,2%.

No entanto, a pesquisa do IDC aponta que desempenho do varejo foi melhor. Lojas físicas, e-commerce e supermercados, que por se manterem abertos durante toda a quarentena, surpreenderam como pontos de venda de computadores. Nesses pontos foram comercializados 906.423 máquinas, sendo 111.072 desktops e 795.351 notebooks. “O que chamou atenção foi o crescimento de 90% (ano a ano) de máquinas de alto desempenho”, afirmou Okayama. “[É algo significativo], apesar de ainda representarem nichos de mercado, como gamers, editores de arte, fotógrafos, arquitetos etc, que precisam de máquinas de alta performance, com maior poder de processamento. [Nessa modalidade foram comprados] 92 mil notebooks e 20,4 mil desktops”, explicou o analista.

Preços seguem caminho inverso

Mas, se as vendas dos PCs caíram, os preços subiram. Entre abril, maio e junho do ano passado, um desktop custava, em média, R$2.150, e um notebook R$2.670. Um ano depois, o preço médio do desktop ficou em R$3.607,08 e do notebook em R$4.342,45, altas de 67,8% e 62.6%, respectivamente.

Já em relação aos três primeiros anos de 2020, a alta foi de 46,7% para desktops e de 38,2% para notebooks. “O segundo trimestre foi marcado pelo repasse de preços para o consumidor”, afirma Rodrigo. Quanto à receita total, a do mercado de computadores no 2º trimestre de 2020 foi de R$5,314 bilhões, ante R$4,545 do 2º tri de 2019 e ante R$5,252 do 1º tri de 2020.

Crescimento cauteloso

Para os próximos meses, a previsão da IDC Brasil para o mercado de computadores nacional é de crescimento, ainda que cauteloso, com 1,2% no 3º tri e de 3,5% no 4º tri de 2020. “Aos poucos as empresas estão voltando a fazer negócios, principalmente as pequenas e médias, que sofreram muito com a pandemia, mas têm condições de reagir mais rapidamente”, explica o analista. “Ao mesmo tempo, observamos índices ascendentes de confiança, mas nada que represente uma grande virada. De certo mesmo, é que os notebooks vão fazer os números do ano, tanto no varejo como no mercado corporativo”.

Por fim, para 2020 de forma geral, a estimativa da IDC Brasil é que o mercado de PCs apresente crescimento de 4,4% no varejo, mas com queda de 9,9% no setor corporativo.

Fonte: Canaltech

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